RESIDENCIAL MEDROSA

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quinta-feira, maio 17, 2018

AS MINHAS ASAS

Eu tinha umas asas brancas, 
Asas que um anjo me deu, 
Que, em me eu cansando da terra, 
Batia-as, voava ao céu. 

- Eram brancas, brancas, brancas, 

Como as do anjo que mas deu: 
Eu inocente como elas, 
Por isso voava ao céu. 

Veio a cobiça da terra, 

Vinha para me tentar; 
Por seus montes de tesouros 
Minhas asas não quis dar. 

- Veio a ambição, co'as as grandezas, 

Vinham para mas cortar, 
Davam-me poder e glória; 
Por nenhum preço as quis dar. 
Porque as minhas asas brancas, 
Asas que um anjo me deu, 
Em me eu cansando da terra 
Batia-as, voava ao céu. 

Mas uma noite sem lua 

Que eu contemplava as estrelas, 
E já suspenso da terra, 
Ia voar para elas, 

- Deixei descair os olhos 
Do céu alto e das estrelas ... 
Vi, entre a névoa da terra, 
Outra luz mais bela que elas. 
E as minhas asas brancas, 
Asas que um anjo me deu, 
Para a terra me pesavam, 
Já não se erguiam ao céu. 

Cegou-me essa luz funesta 

De enfeitiçados amores ... 
Fatal amor, negra hora 
Foi aquela hora de dores! 
- Tudo perdi nessa hora 
Que provei nos seus amores 
O doce fel do deleite, 
O acre prazer das dores. 

E as minhas asas brancas, 
Asas que um anjo me deu, 
Pena a pena, me caíram ... 
Nunca mais voei ao céu. 

Almeida Garrett

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quinta-feira, março 31, 2016

Letra de Afonso de Sousa (a partir de um poemas de Almeida Garrett)


Quando era pequenino a desventura
Trazia-me saudoso e triste o rosto,
Assim como quem sofre algum desgosto,
Assim como quem chora de amargura.

Um anjo de asas brancas muito finas,
Sabendo-me infeliz mas inocente,
Cedeu-me as suas asas pequeninas,
Para me ver voar e ser contente.

E as asas de criança, meu tesoiro,
Ao ver-me assim tão triste, iam ao céu...
Tão brancas, tão macias - penas de oiro -
Tão leves como a aragem... como eu!

Cresci. Cresceram culpas juntamente,
Já grandes são as mágoas mais pequenas!
As asas brancas vão-se... e ficam penas!
Não mais voei ao céu nem fui contente

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sexta-feira, setembro 30, 2011

Despedida de Setembro...


Tudo era claro:
céu, lábios, areias.
O mar estava perto,
Fremente de espumas.
Corpos ou ondas:
iam, vinham, iam,
dóceis, leves, só
alma e brancura.

Felizes, cantam;
serenos, dormem;
despertos, amam,
exaltam o silêncio.
Tudo era claro,
jovem, alado.
O mar estava perto,
puríssimo, doirado.


Eugénio de Andrade

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domingo, abril 10, 2011

Mais um poema do Eduardo:

QUEM SOU EU AFINAL?












eu que sou eu,



tenho em mim outro eu.



que me ajuda a ser mais eu.



eu que sou outro.



consinto em mim outro eu.



que ilude este e o outro.



eu sou um



e sou outro.



sendo outro,



sou mais um.



que me ajuda



a não ser um qualquer,



igual a qualquer um.



eu sou bem.



o outro é mal.



sabendo que sou alguém!



pergunto:



— quem sou eu afinal?



Eduardo Roseira in "o sorriso de deus"
Lavra... EDITORIAL

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terça-feira, fevereiro 22, 2011

Bonitos poemas tem o baú do Eduardo...

O BAÚ

eu tenho um baú, daqueles de estimação.






permanece sempre a sete chaves fechado, p’rá minha memória fugir à tentação de ir rebuscar uma ou outra história, ou mesmo aquelas coisas que feriram o coração. nunca abro o meu baú. mas sei, (ah! se sei!) uma a uma, todas as marcas / histórias que deixaram feridas que não quero........


ai! quem me dera poder rasgar certas memórias........



eduardo roseira in ”o sorriso de deus”


lavra… EDITORIAL

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